quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Antes de morrer, jovem que teve mangueira introduzida no ânus negou que agressão foi brincadeira

O adolescente que morreu após ter uma mangueira de ar comprimido introduzida no ânus afirmou, dias antes de morrer, que a agressão não foi uma brincadeira, como afirmam os acusados. De acordo com a polícia, Wesner Moreira da Silva, 17, disse ao delegado Paulo Sérgio Lauretto, responsável pelo caso, que pediu diversas vezes para que os acusados parassem, o que só ocorreu quando ele começou a defecar e vomitar. O depoimento foi dado ainda no hospital, dias antes do falecimento de Wesner. 
"Ele disse que aquilo não era tipo de brincadeira, disse que pediu para eles [suspeitos] pararem diversas vezes, mas que só pararam depois que ele começou a vomitar e a defecar", afirmou Lauretto. 
O delegado reiterou que, apesar de não ter sido um interrogatório formal, o depoimento da vítima resultou em um relatório que será complementado com o laudo necroscópico e os suspeitos do crime. O dono do lava-jato no qual a vítima trabalhava, que teria introduzido a mangueira no ânus do jovem e outro funcionário, que o segurou, afirmaram que o crime foi apenas uma 'brincadeira', comum entre eles no local. 
Uma criança de 11 anos, que também presenciou a ação, ratificou a versão dos acusados. 
Prisão
A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) pediu a prisão preventiva dos dois suspeitos da morte de Wesner. Ele foi velado na manhã desta quinta-feira (15), na casa onde vivia com a família, e enterrado no final da tarde.
De acordo com o delegado Sérgio Lauretto, responsável pelas investigações, o pedido de prisão foi feito após a morte da vítima, na tarde da última terça-feira (14). Wedson permaneceu internado na Santa Casa de Campo Grande durante 11 dias. 
O jato da mangueira causou diversas lesões no garoto, que chegou a perder parte do intestino. A pressão do ar foi tão intensa que estourou o intestino grosso e comprimiu os pulmões, trancando as válvulas respiratórias. Thiago Demarco Sena, 26, dono do lava-jato, e o funcionário Willian Henrique Larrea, de 30, podem ser indiciados por lesão corporal grave seguida de morte ou por homicídio doloso.
Fonte: Uol | Edição: SIM NOTICIAS